caixa-preta 2006

A caixa-preta dos aviões não é preta: é vermelha ou cor de laranja, para que possa ser encontrada com facilidade no meio de destroços. Quase sempre há duas caixas-pretas: Uma grava o som dos últimos trinta minutos de comunicação entre os pilotos e o posto de controle em terra; a outra, os dados de navegação aérea. Uma vez encontrada, a caixa-preta é inserida num simulador de vôo, de modo que possam ser revividos os fatos ocorridos.

Acredita-se normalmente que o exame da caixa-preta após um acidente mostra imediatamente as suas causas – o que nem sempre acontece, pois tudo que está gravado ainda precisa ser interpretado.

fora de campo 2007

 

Este vídeo parte da experiência de entregar dança contemporânea em locais onde ela não é esperada, procurando espaços despercebidos, brechas no cotidiano. Busca-se a reconstrução desse acontecimento por meio do olhar daqueles que o vivenciaram, mergulhando no que persiste em cada um após a passagem desse corpo em movimento.

O resgate do ponto de vista do observador torna presente a obra que permanece no fora de campo.

Argumento baseado na performance dança contemporânea em domicílio, de Cláudia Müller.

não encontro a saída 2009

O olho não é mais o mesmo depois da fotografia e do cinema.
Walter Benjamin

 

Esta videoinstalação investiga as frágeis fronteiras realidade/ficção, presença/ausência.

Sublinhando a idéia de que ver é sempre ver de algum lugar, uma câmera oferece ao público um testemunho de uma performance já ocorrida. Suas imagens são recortes, possíveis enquadramentos através dos quais o público reconstruirá o evento. Mas o que esta testemunha revela? O que omite?

não encontro a saída parte da idéia de que a imagem fixa um desaparecimento, algo que já passou. Mas não há uma única versão possível dos fatos. O passado é o modo como ele é visto agora.

help! i need somebody 2013

help! i need somebody é um convite para o encontro, trazendo o foco para o coletivo temporário formado quando um número de pessoas configura o chamado público. Uma pessoa no escuro de uma plateia é a primeira imagem que surge quando se pensa, tradicionalmente, no espectador. Quais as implicações de retirar o público do lugar de invisibilidade?

help! é uma criação povoada, um convite para juntos “perdermos tempo” (no melhor sentido desta expressão) com a produção de uma economia onde tempo não seja sinônimo de utilidade ou dinheiro, mas o entrelaçar de experiências (científicas ou não!).

precisa-se público 2014

precisa-se público é uma ação que busca instaurar um lugar de potência para a reflexão crítica dos espectadores, remexendo a hierarquia frequentemente definida pelo discurso especializado: quem fala, quem pode falar, quem é autorizado a escrever com e sobre trabalhos artísticos.

Convidamos os espectadores a assumir a posição de críticos, articulando e dando visibilidade a seus pensamentos em palavras ou imagens. Pensar o público como testemunha, como aquele que permite que o fazer do artista ganhe existência, parece urgente.

Este projeto lança um convite ao público e ao mesmo tempo devolve uma pergunta para os próprios artistas, curadores e instituição: Somos capazes de criar relações e não apenas invocar espectadores como forma de alimentarmos a nós mesmos?

 site do projeto