isso não é um espetáculo2013

isso não é um espetáculo é uma palestra, uma performance, uma peça, um jogo, uma coreografia, um trabalho, um produto híbrido que não cabe em uma única categorização. Ao negar sua intrínseca condição de espetáculo, questiona seu formato de apresentação, lançando ao espectador interrogações sobre o circuito de arte, envolvendo embalagem, assinatura e mecanismos de troca de um produto artístico.

Este trabalho, resultado de um questionamento dos modos de produção recorrentes em dança e às formatações já prescritas, é atualizado a cada nova apresentação de acordo com o contexto no qual se insere. É também atualizado entre as artistas no próprio momento da performance, uma vez que é baseado em uma estrutura de jogo que propõe zonas de instabilidade na intenção de evitar sua formatação em um produto final, fixo e imutável. Embora esta estrutura de jogo siga um conjunto de regras que se repetem em todas apresentações, cada apresentação é um constante novo jogo a partir das regras – um acontecimento que se atualiza no momento e as possibilidades são recriadas, questionadas e recombinadas.

isso não é um espetáculo é resultado de uma residência artística desenvolvida por Cláudia Müller e Clarissa Sacchelli e apoiada pelo programa Rumos Dança 2012-2014. A pesquisa proposta por esta residência fundou-se em práticas artísticas baseadas em experimentações e ideias de fracasso, dúvida, “não-saber”, “não-eficiência”, “não-finalidade” e improdutividade.

exhibition 2010

exhibition desenha uma coreografia de gestos estratégicos e políticos, trazendo para primeiro plano os movimentos de construção, distribuição e agenciamento de uma obra. O projeto problematiza a relação de forças e interesses que constituem o sistema da arte, dando visibilidade aos agentes deste sistema: o artista, o crítico, o curador, o espaço destinado à arte (instituição, museu, teatro, a galeria), o público, a mídia.

Camadas que tendem a permanecer ocultas aparecem e as convenções do sistema artístico são sublinhadas através de elementos de legitimação de um projeto artístico: a exibição em contexto internacional, as críticas em jornais, a entrevista com o crítico, o depoimento do curador, o coquetel, as imagens atraentes, os produtos vinculados ao trabalho , a presença da logomarca dos patrocínios e apoios.

exhibition fabrica um “produto de sucesso” ao ficcionar um espetáculo, no sentido atribuído pelo filósofo Guy Debord: a representação que toma conta da vida cotidiana, a aparência que determina o que merece ser visto, as relações humanas mediadas por imagens.